quarta-feira, 11 de maio de 2011

O que é câncer?

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O câncer não é uma única doença: existem vários tipos diferentes. Alguns tipos de câncer podem permanecer quase inalterados por muitos anos e não têm impacto na expectativa de vida. Ao contrário, existem tipos raros que podem ser fatais logo após serem descobertos. Da mesma forma que o termo "infecção" engloba doenças tão diferentes, como uma gripe comum, furúnculo, malária e tuberculose, o esperto da doença maligna varia, tanto no comportamento quanto na gravidade.

- Perda do Controle -

Um caroço de tecido humano do tamanho de um cubo de açúcar pode conter um bilhão de células. Essas são os menores blocos de construção com os quais nossos organismos são feitos, visíveis somente ao microscópio. É surpreendente que bilhões de células do corpo humano normalmente funcionem em perfeita harmonia, cada célula sabendo seu lugar e fazendo o trabalho planejado. A maioria das células tem um tempo de vida limitado: milhões de novas células são produzidas todos os dias para substituir aquelas perdidas pelo envelhecimento ou desgaste.

Novas células são produzidas quando as existentes dividem-se em duas, um processo conhecido como mitose. Exceto em crianças, que estão crescendo, normalmente existe um equilíbrio perfeito entre o número de células que estão morrendo e aquelas que estão se dividindo. Normalmente, a quantidade exata de novas células são produzidas para substituir aquelas perdidas. Os mecanismos de controle envolvidos são complexos. A perda de controle pode levar a um excesso de células, resultando em tumor.

Entretanto, é importante perceber que somente uma pequena parte dos tumores são cancerosos. A maioria dos tumores são acúmulos localizados de célular normais ou razoavelmente são normais e são benignos. Uma verruga é um exemplo comum.

O desenvolvimento do câncer envolve uma mudança na qualidade das células assim como um aumento da quantidade : elas mudam tanto na aparência quanto no comportamento. Elas tornam-se agressivas, destrutivas e independentes das células normais. Adquirem a habilidade de infiltrar-se e invadir os tecidos vizinhos. Em alguns casos, as células também podem invadir vasos linfáticos e sanguíneos e, portanto, separar-se do crescimento "primário" para outros locais. Essas células podem causar o desenvolvimento de crescimentos secundários, conhecidos como metástases, nas glândulas linfáticas e outros órgãos, tais como pulmões, fígado e ossos.

- Genes -

O comportamento de todas as células é controlado por genes na unidade central de controle, o núcleo. Cada núcleo celular contém aproximadamente 100 mil genes. Os genes são pacotes minúsculos com alta concentração de informações e instruções estocadas em forma de códigos em uma molécula química complexa conhecida como DNA. Um grande número de genes é agrupado em filamentos que se parecem com pequnos pedaços de fitas, visíveis somente ao microscópio. Existem os cromossomos, que se unem em pares, num total de 23 pares. Um ser humano de desenvolve no útero a partir de uma única célula.

Essa primeira célula é formada pela fertilização de um ovo (produzido em um dos ovários da mãe), pelo esperma produzido em um dos testículos do pai. Divide-se para produzir duas células-filhas que então dividem-se, resultando em quatro células. Divisões sucessivas levam a um crescimento rápido. A mitose envolve replicação de toda a informação genética para que cada uma das células no microscópio organismo em desenvolvimento ou "embrião" tenha seu complemento total. Esse processo de replicação e divisão continua à medida que o embrião se transforma em um feto e, eventualmente, em um bebê recém-nascido.

A informação genética contida nessa primeira célula é o que determina as características físicas do ser humano que se desenvolvem a partir dela. No entanto, uma vez que o organismo está completamente formado, a maioria dessa informação genética não é mais necessária para qualquer célula em particular. Tudo o que é necessário é a informação exigida para habilitá-la a desempenhar sua função. Instruções de como desempenhar outras funções são redundantes. As partes importantes da informação que são "ligadas" em células específicas controlam as característicase e o comportamento dessas células e as propriedades dos tecidos específicos que elas compõem.

- Genes do câncer -

Existem genes específicos conhecidos como "oncogenes", presentes em células normais onde podem ser tanto dominantes quanto desempenhar uma função no controle do comportamento e divisão celular. Danos no DNA, por exemplo, causador por fumo, luz ultravioleta e alguns vírus, podem desencadear certas anormalidades ou mutações nesses genes, resultando em atividade aumentada e anormal. Isso pode levar a célula a comportar-se de maneira anti-social e tornar-se maligna (cancerosa).

Além dos oncogenes, cada célula contém genes supressores de tumor, cuja função normal é frear a divisão. Muitos tipos de câncer são causados por danos que reduzem a atividade do gene supressor de tumor. Genes são cruciais não somente para o desenvolvimento da malignidade, mas também para o comportamento subsequente de um câncer e sua resposta ao tratamento. Por exemplo, alguns genes são responsáveis pela frabricação de proteínas importantes que habilitam o câncer a invadir tecidos adjacentes e se espalhar para partes distantes do organismo, desencadeando o desenvolvimento de metástases. Outros genes podem levar a célula a produzir "fatores de crescimento" autp-estimulantes ou eliminar drogas anticâncer.

Até o processo de morte celular está sob o controle genético. Um dano genético pode resultar em células que não morrem, o que pode ser um fator importante tanto para o desenvolvimento do câncer quanto sua resistência ao tratamento com radioterapia ou drogas. O desenvolvimento do câncer envolve o acúmulo de sucessivas anormalidades genéticas ao longo dos anos, tanto antes quanto depois de as células começarem a se comportar de maneira maligna. Mutações genéticas adicionais após o inicio do câncer podem levar algumas células a se comportar de maneira diferente das outras. Isso pode levar o crescimento a "mudar de lugar" em algum estágio.

O comportamento do câncer e o resultado do tratamento prolongado dependem basicamente daquelas células que têm o caráter mais anti-social e daquelas mais habilitadas a resistir ao tratamento com o objetivo de destruí-las.

- Rapidez do crescimento -

A maioria das células se divide no máximo a cada poucos dias, algumas muito mais devagar. Visto que quase todos os tipos de câncer começam como resultado da anormalidade de uma única célula e que deve haver bilhões de células em um caroço do tamanho de um cubo de açucar, a maioria dos cânceres começa muito tempo antes de se tornarem aparentes. Muitos cânceres são maiores do que um caroço quando são descobertos e muitos já estarão presentes, crescendo lentamente, por dez a vinte anos. Existe, no entanto, uma grande variação no tempo que o tumor leva para dobrar de tamanho.

Esse "tempo de duplicação" pode variar de alguns dias a muitos anos, embora para a maior parte dos cânceres mais comuns a média seja de dois a três meses.

- Efeitos do câncer -

Algumas vezes pode ser difícil entender como um número excessivo de células anormais pode, em certas circunstâncias, ameçar a vida. Os efeitos graves da doença maligna ocorrem como resultado da infiltração e destruição progressiva dos tecidos vizinhos normais e/ou de outras partes do organismo para onde o câncer se espalhou, tais como fígado, ossos e pulmões. É incomum os cânceres localizados serem fatais. A maioria dos que morrem de câncer apresentam doença espalhada ou metastática.

No entanto, além desses processo físicos, o câncer pode causar uma debilidade progressiva por produzir uma ampla variedade de substâncias químicas tóxicas que agem tanto localmente quanto por todo o organismo, através da corrente sanguinea. Nós não compreendemos completamente esse processo, mas são essas substâncias químicas que são responsáveis por sintomas como perda de peso nos pacientes.

- Classificação dos cânceres -

Os cânceres são graduados de acordo com o quanto as células se diferenciam do normal. No câncer bem diferenciado (às vezes denominado "1º grau") algo da arquitetura celular normal é mantido e as células não parecem se dividir frequentemente. Algumas podem até reter alguma capacidade de desemepenhar suas tarefas específicas originais. No outro extremo do espectro encontram-se os cânceres poudo diferenciados (grau 3), nos quais as células mudaram tanto que agora são muito diferentes das células normais e perderam completamente sua habilidade de desempenhar as funções determinadas.

Esses cânceres tendem a crescer rapidamente e ser mais agressivos, além de resultar em um prognóstico menos favorável. O câncer é classificado de acordo com o tipo de célula normal que o originou, e não de acordo com os tecidos para os quais se espalhou. Isso é o que pode se chamar de classificação primária. O câncer em cada categoria será graduado de acordo com o que foi descrito acima e seu crescimento e extensão também serão classificados em um processo conhecido como "estadiamento". Pelo que se sabe sobre classificação primária do câncer, quase todos os tipos de câncer podem ser alocados em um dos seguintes grupos.

- Carcinomas -

Carcinomas são, indiscutivelmente, os tipos mais comuns de câncer. Eles se originam de células que revestem as superfícies do corpo, incluindo a pele e uma série de revestimentos internos. Entre esses estão os da boca, garganta, brônquios (os tubos que levam e trazem ar dos pulmões), esôfago (o tubo para engolir), estômago, intestino, bexiga, útero e ovários e os revestimentos dos ductos mamários, próstata e pâncreas.

Existem tipos diferentes de carcinomas, nomeados de acordo com a aparência das células normais das quais foram originados. !Carcinomas escamosos" originam-se particularmente da pele, boca, garganta, esôfago e pulmões; "adeno-carcinomas" se originam no baixo esôfago, estômago, intestino, mamas e ovário; "carcinomas de transição" originam-se especialmente na bexiga e "carcinoma de pequenas células" também ocorrem no pulmão.

- Sarcomas -

Originam-se de tecidos de suporte em vez dos de revestimento, tais como ossos, tecido gorduroso, músculo e tecido fibroso de reforço, encontrado na maior parte do corpo.

- Linfomas -

Originam-se de células conhecidas como linfócitos, encontradas em todo o organismo, particularmente em glândulas linfáticas e sangue. Linfócitos são componentes muito importantes do sistema imunológico. Os linfomas são divididos em Hodgkin e não-Hodgkin, de acordo com o tipo de célula afetada.

- Leucemia -

Leucemias originam-se de células da medula óssea que produzem as células sanguíneas brancas. Essas células são cruciais para o sitema de defesa do organismo contra infecções. Na leucemia ocorre uma concentração aumentada de glóbulos brancos, causando problemas porque as células anormais não funcionam apropriadamente e porque elas restringem o espaço da medula óssea para que novas células sejam feitas.


- Mielomas -

Malignidades nas células plasmáticas da medula óssea que produzem os anticorpos - as proteínas que ajudam a combater as infecções.

- Tumores das células germinativas -

Desenvolvem-se a partir de células dos testículos e dos ovários, responsáveis pela produção de ovos e esperma. Incluem os teratomas e seminomas.


- Melanomas -

Esse câncer de pele origina-se das células da pele que produzem pigmento, os melanócitos.

- Gliomas -

Desenvolvem-se a partir de células do tecido de suporte cerebral ou da medula espinhal. Raramente ocorre metástase.

- Pré-câncer -

É importante mencionar as condições potencialmente pré-cancerosas que são diagnosticadas principalmente em pessoas aparentemente saudáveis que se submetem a testes de triagem, tais como esfregaço cervical e mamografias (raio-X das mamas). Essas condições afetam particularmente a superfície do cérvix (colo do útero) e ductos mamários e são denominados carcinoma in situ.

Isso significa que as células superficiais têm aparência maligna quando observadas no microscópio, mas não apresentam sinal de comportamento maligno invadindo qualquer tecido imediatamente abaixo de revestimento de superfície. O carcinoma in situ não tem habilidade para espalhar-se por via dos sistemas linfático e sanguíneo e não representa, por si só, ameaça à vida. No entanto, pode tornar-se canceroso se não for tratado.

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